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Como surgiu Além da Lenda?

Atualizado: 2 de fev. de 2019


Você já imaginou a Cuca numa crise existencial? Ou o Curupira abandonando a floresta por medo? E o Papa-figo não querendo ser um homem assustador? Pois é, a vida não está fácil para ninguém. “Além da Lenda” propõe um olhar diferente sobre as lendas brasileiras: de dentro para fora. São elas que nos contam as suas histórias. Os novos tempos (e principalmente, as novas crianças) estão deixando essas criaturas bem confusas: por que os pequeninos não se assustam mais com elas? O que fazer? Como mudar? Esse é o mote da série de animação.

O Folclore é o modo como um povo compreende o mundo em que vive. Nasce da pura imaginação das pessoas e passa de geração em geração por meio de lendas e mitos. Conhecendo seu folclore, compreendemos seu povo e, ao mesmo tempo, até sua própria história.

No Brasil, as lendas e mitos têm origem na mitologia dos índios nativos, fundidas as da Europa e as dos Negros africanos, refletindo a multiculturalidade do nosso país. A equipe do projeto trouxe para a série essa diversidade brasileira. A escolha das lendas foi baseada na ideia de contemplar as três origens (indígena, europeia e africana) e também todas as regiões do país. Por isso, chegamos a Cabra-cabriola, Chibamba, Curupira, Cuca, Cumade Florzinha, Negrinho do Pastoreio, Boitatá, Iara, Mula-sem-cabeça, Barba Ruiva, Papa-figo, Boto e Vaqueiro Misterioso. Cada pedaço do Brasil está representado em “Além da Lenda”.

Outro motivo para a escolha das lendas foi equilibrar as mais famosas com algumas menos conhecidas. Por isso, colocamos a Cuca, por exemplo, famosa em todo país, junto com o Vaqueiro Misterioso, mais restrita ao interior do Nordeste. Também por esse motivo, pensando em futuras temporadas, deixamos de fora algumas lendas conhecidas como o Saci-Pererê.

São treze lendas ao total, mas carregamos boa parte da narrativa em três delas. Destaque para Comadre Fulozinha. Foi uma escolha proposital colocar uma personagem feminina como protagonista. Segundo uma pesquisa global organizada pela ONU, as mulheres representam apenas 30% dos personagens dos principais filmes lançados no mundo entre 2010 e 2013. No Brasil, esse número aumenta um pouco e chega a 37%, mas com um detalhe preocupante. Mais do que em outros países, aqui as mulheres são quase sempre representadas com apelo de sexualização. É uma clara sub-representação feminina nos campos da produção de conhecimento e da produção de sentidos. Nossa protagonista Comadre Fulozinha foge de todos os estereótipos femininos.


#alemdalendaanimacao



Foto: Tom Cabral (Revista AlgoMais)
Equipe da Viu Cine, responsável pela produção de Além da Lenda. (Foto: Tom Cabral, Revista AlgoMais)

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